A ESPM promoveu um dia de degustação da Miami ad School (um dos meus sonhos de consumo) no sábado 29/11/2008. Eu assisti a dois workshops deliciosos. Dicas muito interessantes para quem está preparando o seu portfolio de criação.
No primeiro workshop o assunto de interesse foi redação publicitária ♥. No segundo o tema foi “Critério”. Segue um pequeno resumo do que cada palestrante falou e dicas interessantes:
“Você sabe fazer um bom titulo? - com Paulo André Bione, coordenador dos cursos de Redação Publicitária e Direção de arte e diretor de criação da 141/Soho Square.
- Um bom título tem FORMA + CONTEÚDO
Todo título deve ter ritmo. Hoje utiliza-se muito títulos publicitários divididos em 2 ou 3 tempos, onde o primeiro tempo é “óbvio” e o segundo traz uma sacada, uma quebra no raciocínio.
Ex: Surf não dá dinheiro. Mas nossas loiras nos amam de verdade.*
- Você pode trabalhar com uma idéia conhecida por todos, porém com o acréscimo de uma palavra ou expressão que traga o inexperado.
Ex: Papai Noel não vai acreditar que você existe. (Na imagem tinha uma modelo de lingerie).
- Vale lembrar que “COMO” e “QUEM DISSE QUE” estão fora de moda – e faz tempo.
- Trocadilhos são – em geral – péssimos. Você sempre vai correr o risco de fazer um texto “engraçaralho”. Sentiu o drama? Pois estão: trocadilhos NÃO pode.
“Critério. Como saber rapidamente se seu trabalho é bom ou não” com Pedro Pletitsch, diretor de arte da Fisher América.
Essa conversa foi bem intensa, recheada de exemplos (que ainda não tenho em mãos para publicar) e dicas para aspirantes a redação e direção de arte.
- 1) O que eu ganharei vendo esta propaganda?
É simples: o leitor da revista não passará horas tentando entender o que aquela propaganda diz. O benefício deve ser claro. Sem viagens, sem reflexão, sem investimento de tempo (do público). Olhar e entender o propósito do anúncio.
“Melhor anúncio é aquele que você se reconhece.” (Pedro Pletitsch)
Aqui entra novamente o “engraçaralho”. Piada ruim pega mal – e muito. Porém, mais destruidor que uma piadinha infâme é a emoção exagerada, é o piegas.
“Emoção ruim desvende, é piegas.” P.P
- Relevância para público alvo
Parece muito óbvio, mas não é. Propaganda tem que estar adequada ao universo do target, falar na língua dele. Muitas vezes aparece mais a personalidade do criativo ou da agência em uma campanha, do que o interesse do público. Nós publicitários não inventamos nada, só traduzimos e/ou despertamos sentimentos comuns.
Em pouco tempo o photoshop virá com “fundos” padrão, assim como é o PowerPoint, específicos para alguns seguimentos: propaganda de carro = cidade + fachada de prédios modernos + tons de prata ou esverdeado; cerveja = praia + sol = biquini. Entenderam a mesmice? Então, o ideal é quebrá-la.
Ok, falamos agora mesmo de entrarmos no universo do público-alvo e, logo em seguida, temos que mudar a tal “paisagem” tão familiar? Não vamos substimar e nem rotular nenhum segmento na hora de criar. Inovação e quebra de paradigmas são sempre bons rumos de serem seguidos.
Se você puder passar a mensagem com pouquíssimas palavras e imagens, pronto! O menos é sempre mais. Informação clara, direta e criativa resolve qualquer encrenca. No caso, uma girafinha vale mais que 1000 palavras:

Girafa - Zoo Buenos Aires
Todos nós já sentimos que “dava para fazer melhor” em algum momento. O público também sente quando você não faz o melhor. Às vezes, a idéia não é ruim. Mas o assunto abre um leque imenso se possibilidades e é quase obrigação dos apaixonados por criação ir até o limite. Idéias pobres não vendem mais do que já é vendido, não marcam, não nada.
- As pessoas vão acreditar?
Calma! O mundo das fadas ainda é permitido, o que não dá é para tratar o público como tolo, ou fazê-lo perceber a campanha como ridícula. Na minha opinião, o Super 15 traz um pouco disso. Porém, é critério de cada um. Bom senso sempre.
Dicas de sempre:
Propagandas que já foram feitas. Tudo bem que você não sabia, mas pega mal. Pesquise, leia TUDO desse mundinho e claro, não copie nada.
Adequação a verba e ao veículo. Um exemplo? Outdoor com número de telefone não funciona, revista com urls imensas também não e assim por diante.
Coffe de Saída
Para entrar nesse mundinho da criação é preciso:
VOCABULÁRIO: quem é quem nesse mundo, quais são as melhores agências, saber sobre campanhas velhas, novas e se possível as que não existem ainda (ai você vende a idéia e fica rico!) etc. Vire tiete das agências e afins. No pior dos casos, você pelo menos não criará algo que já existe e evitará um constrangimento na hora de mostrar sua pasta.
DISCIPLINA: Crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie, (re)crie ……. Esforço é necessário. Menos bar, namoro e balada e muito, mais muito mais dedicação e suor na hora de criar e recriar suas peças. Palavra de todos os diretores de criação do mundo. Não há talento que aconteça parado.
ORIENTAÇÂO: Profissionais capacitados para te ensinar critério e dizer o que está ruim ou bom, como melhorar e assim por diante. Quando inventarem esse tipo de atendimento online ou delivery, eu contrato!
Aos dois palestrantes fica o meu agradecimento! Vocês deram um up nas minhas idéias.
( * ) Não sei nenhuma referência do título, como campanha ou produto.
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1 Comentário
Como redatora / webwriting ouço freqüentemente que “trabalho com o português”, por isso sei bastante sobre o assunto. Mas, sempre sempre sempre, penso: não deveria ser um diferencial saber seu próprio idioma. Mas por aqui é. E não há dialetos no Brasil, simplesmente um vocabulário diferenciado por região/estado/classe social/idade/grupo/estado psicológico etc. Mas todos estamos sujeitos a mesma gramática.
Discussões a parte sobre o uso correto ou não da língua portuguesa, o fato é que ela passará por uma reforma em breve. A partir de 2009 algumas regras gramaticais irão mudar, a fim de unificar as duas grafias oficiais: português do Brasil e português de Portugal. Existem 8 países que falam oficialmente português: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
A Reforma Ortográfica é necessária?
Hoje em dia, as regras da gramática de Portugal é que são ensinadas em outros países. Após a reforma ortográfica, livros e materiais didáticos não precisarão mais de revisão ou de duas versões diferentes para circularem entre os países. Além disso, haverá padronização do ensino de português em todo o mundo.
O que vai mudar após a Reforma Ortográfica?
Há muitas pessoas que, incrivelmente, acreditam que após a reforma ortográfica não saberão mais escrever. Não é nada disso, serão poucas e simples mudanças, que facilitarão muito a “documentação” mundial feita em português, e não mudarão quase nada nossa vida.
Novas regras gramaticais que influenciarão no seu dia-a-dia:
Acentos que serão eliminados
Trema (freqüente = frequente)
Acentos em ditongo “ei” paraxítonas. (idéia = ideia)
Duplo “o”. (vôo = voo)
Palavras homônimas de verbos. (pára (verbo) / para = para)
Hífen
O hífen não será mais utilizado. (pára-quedas = paraquedas)
Exceções: expressões que a segunda palavra comece com “H” permanecerão iguais. (pré-história)
Quando substantivos compostos que têm a última letra da primeira palavra e a primeira letra da palavra iguais, será feita a introdução do hífen. (Microondas = micro-ondas)
As outras mudanças valem mais para o português de Portugal, mas você pode conferir todas as regras aqui.
FOR FUN | Reforma Ortográfica de 2050
Enquanto eu escrevia esse post, estava conversando com alguns amigos no MSN. Heis que surge o seguinte diálogo
Amiga diz:
tédio…
GarotaComConteúdo diz:
nossa, é o nick da minha amiga com qm to tc tb
GarotaComConteúdo diz:
atenção para a frase: qm to tc tb
Amiga diz:
uahuahuhauahuahuahuaahuuahhauua
GarotaComConteúdo diz:
hahaha português isso nao é!
Amiga diz:
é…. essa tal internet vai acabar com a gente… hahah
Certamente na próxima reforma ortográfica serão consideradas as abreviações geradas pela comunicação online. #fikdica
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“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.(…)
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.(…)
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou. (…)
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.”
“Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1“, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998
Texto completo aqui

Flores de Primavera |Graffiti de Alexandre Orion
Que a Primavera chegue para todos nós! Para sempre. Já está na hora dessa vida ser mais colorida, mais cheia de brilho e certamente mais cheia de vida (ui!). Olá para todos!
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